Vai chover
21/06/2005 às 11:43

O Gilberto Dimenstein mandou bem de novo, no Pensata.

É mais do que uma asneira histórica ou uma piada de péssimo de gosto, é o retrato de uma geração de jovens vítimas do cinismo extremado.

A direção do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, publicou, em seu jornal, a seguinte tese sobre a escravidão dos negros: “Se não fossem escravizados, os negros não teriam sido trazidos ao continente americano. Por pior que estejam aqui atualmente, estão melhores do estariam na África atualmente.”

Note-se que o grupo que assumiu a direção do centro (que já foi ocupado, por exemplo, por Ulysses Guimarães), batizou-se de “escória” e seu lema, na campanha eleitoral, era “balada, bebida e putaria.”

O fato de um grupo desse tipo chegar ao poder numa instituição tão tradicional, marcada pela defesa dos direitos humanos, não é um problema nem provinciano nem só estudantil. Revela o que ocorre quando o descrédito se abate na política. Uma tendência que só tende a se agravar com as denúncias que envolvem o PT, que tinha a ética como uma espécie de marca registrada.

Agora o meu comentário, afinal, sei muito mais das coisas que o Dimenstein. Já fui universitário e sei que, às vezes, alguns lemas ou frases de batismo são escolhidos como brincadeiras ou provocações. Assim como a minha turma de faculdade que se batizou ‘povinho esquisito’ ou um parte do pessoal do IME-USP que, nos Intercomps da vida, se batizava de ‘banda B’ ou ‘banda podre’, apenas para ir contra a atitude radical da grande maioria dos estudantes do IME-USP que não participavam de nenhuma festa ou brincadeiras características desses jogos. Assim, não vejo problema em que o lema dos caras do C.A. da Faculdade de Direito do Largo São Francisco ter usado o lema ‘balada, bebida e putaria’. Gostem ou não, acho que um pouco dessa postura faz parte da vida universitária.
Agora, quanto ao texto publicado no jornal, só posso dizer que pensava que quem entrava numa faculdade de tanto nome, seria um pouco mais inteligente que isso, de tão estúpido que é.

 


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