Ao contrário do Tim de 2005, quando pulei a apresentação da Mia, esse ano cheguei cedo ao Anhembi, antes da primeira atração subir ao palco. Pouco tempo depois que eu cheguei, ouvimos um “Spank Rock, motherfuckers” anunciando o começo do festival.
Apresentação apagada, com uma overdose de atabaques e bem mais ‘black’ do que eu imaginava, ainda mais depois de ouvir o último cd dos caras, só deu uma animada no público perto do final do show. Me disseram inclusive que a banda devia se chamar ‘Sfunk Hop’.
Depois foi a vez do ótimo Hot Chip colocar a gente pra dançar. Iam bem até que o polco ficou sem energia. Mas eles tinham que voltar. Estava todo mundo esperando Over and Over. E ainda ouvimos Alexis Taylor dizer que a platéia paulistana foi melhor que a carioca.
Daí chegou a vez de uma das principais atrações da noite. Apesar de tocar cedo, Björk foi uma das mais aguardadas do festival. Não pude ver o show muito bem mas posso dizer que Declare Independence fechou o show com chave de ouro.
No vídeo, a música preferida da Pri.
A bela e empolgada Juliette Lewis subiu ao palco com a sua Licks e fez um show competente. A cada trejeito da vocalista, era possivel ouvir suspiros do público, pela beleza e carisma, digamos assim, da moça. Juliette no palco é uma coleção de clichês, como dançar com a bandeira do brasil enrolada ao corpo, mas foi o suficiente para entreter a galera por pouco mais de uma hora.
Eu preciso ser honesto e dizer que me apaixonei. Caso com ela hoje mesmo.
Em seguida veio o fenômeno Arctic Monkeys. O cabelo, o sataque e a forma de segurar guitarra de Alex Turner me lembrou os Beatles. Com um palco simples mas eficiente e quase sem falar nada com o público, o Arctic fez o que eu esperava deles: rock inglês da melhor qualidade e sem firulas.
Ninguém soube me dizer por que o Killers fechavam o festival. Mas, com o atraso todo, melhor que fossem eles mesmo… Seria sacanagem ver uma banda tão legal quando o Arctic Monkeys ou a bela Juliette tocando às 5 da manhã de uma segunda-feira.
O centro de São Paulo a noite é foda. Eu sou a favor de uma Virada Cultural por mês, com menos palcos, menos atrações, mas a mesma possibilidade de poder ficar dando rolê pelo centro, tomando uma cerveja e conversando. Já seria suficiente.
Cheguei no Anhamgabaú pouco depois das 7 da noite, procurando o palco em que o Teatro Mágico ia se apresentar. Nem conhecia o som dos caras, mas a indicação era de fonte confiável. Quando chegou mais perto da hora do show começar, a Boulevard São João ficou mais apertada. Não deu pra entender muito bem eles terem colocado o palco no lado alto da rua, já que isso dificulta muito a visão. Tanto que, onde eu estava, a maioria do povo ficou de costas pro palco, acompanhando o show por um telão mais atrás. Bom, mas não dá pra esperar muita coisa de quem mandou fazer uma faixa com os dizeres “Secretaria de Municipal de Cultura” e colocar na frente do palco. Mas, mesmo com todos os problemas, o show foi bom, o som deles tá aprovado e já coloquei a mula pra pegar umas músicas dos caras.
De lá, rumo a Sé, onde a grande Nação Zumbi ia se apresentar. Mas sem esquecer de fumar um cigarrinho no Viaduto do Chá, trocando idéia com a Priscilla, olhando o povo lá em baixo e pagando pau pro Municipal iluminado. Chegamos lá e depois de uma volta pela praça e de comprar um ótimo vinho tinto, servido gelado e com uma bela tampa de plástico na garrafa, conseguimos um ótimo lugar pra ficar, numa curva que a grade fazia, a esquerda do palco. Ficamos a uns 20 metros, quase de frente pra ele, e ainda com a grade atrás, pra nos apoiarmos. O segundo show da noite também começa na hora, e mais uma vez tenho o prazer de ver umas das melhores bandas que eu conheço no palco. De novo, foi do caralho.
A meu pedido, esperamos pelo começo do show dos Racionais. Com o show atrasado em meia hora, saímos de lá. Passamos nos dois palcos de eletrônico, para treinarmos o que aprendemos durante a semana. Fazia tempo que eu não ria tanto.
De lá pra Br. de Itapetininga onde me surpreendi com o Golpe de Estado, muito mais pesado do que eu imaginava. Uma boa surpresa pra começar o dia e fechar a balada, lá pelas 7 da manhã.
Acordei pra ver quem seria o campeão paulista e qual foi minha surpresa ao ouvir o Galvão dizer que ia passar no Fantástico imagens exclusivas da quebradeira na Sé.
Assim como eu, muita gente teve uma balada muito massa e só ficou sabendo do que aconteceu no dia seguinte. Por isso, espero que o que aconteceu não atrapalhe as próximas edições da Virada. E nem dá pra pra sacar muito bem de quem é a culpa – dos manos, da PM ou dos dois – pelo que vi na TV e no YouTube, mas que uma hora e meia de atraso no show é foda, isso é.