O Corinthians fez um planejamento de dois anos e meio para sair de um de seus momentos mais tristes e chegar no mais desejado.
Tanto dentro como fora de campo, o Corinthians mandou bem como há muito não acontecia e por dois anos superou as expectativas. A verdade é que nesse último semestre, as coisas não foram como esperávamos. E esperávamos muito mais justamente pelas mostras de competência que o time, como um todo, da diretoria aos jogadores, nos deu nesses últimos dois anos. Infelizmente, não aconteceu. Seja pelo motivo que for, eu não acredito em má vontade nem em incompetência.
O sonho do centenárioacabou, mas da Libertadores não. Domingo começa o Brasileiro e temos que entrar com força e raça pra irmos pra Libertadores do ano que vem.
Em jogo muito atrapalhado pela chuva, o Flamengo venceu o Corinthians por 1×0 no Maracanã e vai para o Pacaembu podendo empatar ou perder por um gol, desde de que balance as redes alvi-negras, para se classificar para as quartas. Se o Corinthians vencer por 1×0, vamos pros pênaltis.
O jogo foi fraco, tanto pela chuva como pela atuação dos times. Mas mais fraco ainda foi o desempenho do Ronaldo. O que faltava pra ele era apenas motivação: o Paulista não valia nada e a primeira fase da Libertadores se mostrou tranquila demais para motivar o Fenômeno. Foi o que pensei. Ledo engano.
Jogando no Maraca, onde nunca marcou, com o estádio lotado e sendo o centro das atenções desde a outra semana, Ronaldo fez uma de suas piores atuações no ano. Irreconhecível até no domínio de bola. Parece que não era motivação que faltava. Ou ela ainda não veio, o que não acredito.
Agora, chegamos no ponto onde o bom planejamento de três anos para o centenário fica sob responsabilidade de uma pessoa só, de quem se esperava muito e que, infelizmente, mostrou muito pouco.
Claro que é possível que passemos pelo Flamengo, e vamos passar, mas a expectativa de um centenário fenomenal não existe mais.
Não há muito o que dizer do jogo de ontem. O Corinthians nitidamente se poupou após fazer um a zero, e com razão. Ao menos nesse jogo, faz sentido vencer pelo mínimo.
A ironia agora fica em pegar o Flamengo logo nas oitavas. Só para comparar, o São Paulo, segundo melhor colocado, vai enfrentar o Universitário do Peru. Dá pra se ter idéia da diferença que é jogar contra o Universitário e contra o Flamengo. Isso que o Corinthians, na teoria, deveria pegar um adversário um pouco mais fraco que o do São Paulo, já que o Corinthians teve um desempenho um pouco melhor. É, a zica do centenário não é pouca.
O único ponto positivo que vejo é o momento que vive o Flamengo, que não é dos melhores. Mas isso, sabemos, vai fazer pouca diferença quando a bola rolar.
Sem tomar grandes sustos, o Corinthians venceu o Racing do Uruguai por dois a zero, pela quinta rodada da primeira fase da Libertadores, e é já se garantiu nas oitavas de final.
Seguro, tranquilo, o time mostrou que o investimento em experiência do elenco valeu a pena. O time vem se comportando muito bem, sem perder a cabeça nem entrar na catimba dos adversários, principalmente nos jogos fora de casa.
Roberto Carlos, Jucilei, Danilo, Elias e Dentinho fizeram mais uma boa partida e vão se mostrando serem a base do time. Mas o destaque foi o Dentinho, que se movimentou muito, partiu pra cima dos caras, apanhou pra caramba mas soube lidar com a pressão e ainda deixou o dele, pegando rebote de um chute forte do Roberto Carlos. O segundo veio no finalzinho, com Elias arrematando cruzamento preciso de Jucilei pela direita.
Julio César e Moacir não complicaram, mas mostram que não tem condições de disputar vaga com os titulares.
E me agrada muito ver um prata-da-casa se destacar no ano do Centenário. Nada mais coritiano do que isso.
Mais uma vez, o Corinthians jogou pouco, apenas o suficiente para ganhar de um time, que convenhamos, é muito fraco. Mas essa é a sina do Corinthians em seu centenário até agora: pouco futebol. Porém, com o time titular em campo, não podemos reclamar dos resultados. E a classificação na Libertadores deixa isso claro. Estamos invictos, somos líderes isolados do grupo e brigamos para sermos o melhor dos primeiros.